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NESSA VIAGEM QUE É A VIDA

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Edifício Liberal Center

R. Metódio Coelho, 104 - Brotas

Salvador - BA, 4º andar, sala 406,

CEP: 40275-440

E-mail: projetoospassageiros@gmail.com

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Manifesto

"Os Passageiros"

Olá, meus amigos.

Como vocês estão? Tudo bem?

Queríamos apesentar para vocês esse projeto que estamos construindo. No entanto, temos pelo menos uma dificuldade em fazê-lo. De fato, não sabemos bem o que pode surgir daqui. Não nos levem a mal por isso. Explicaremos já, já.

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É que não temos como prever o tipo, nem a natureza da relação que construiremos, nem mesmo o seu nível de profundidade. Acreditamos que o mistério – como recurso epistemológico, isto é, como uma forma de conhecer as coisas – pode ser uma boa: não podemos prever todas as possibilidades de algo que se impõe como inesgotável por grandeza. Deste modo, sinalizamos muito mais uma intenção, uma disposição, uma abertura, uma direção ética. Isso não quer dizer que não tenhamos planos, nem propostas de como esses encontros acontecerão, mas, que desejamos, acima de tudo, fundar bem os princípios, as raízes, as razões que nos mobilizaram na criação de “Os passageiros”.

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“Todo viver verdadeiro é encontro” ou cada coisa aqui neste ambiente será ocasião de te encontrar.

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Em muitos casos, o contato com aquilo que nos distingue como humanos vem através das nossas potencialidades e das coisas que costumam encher a nossa vida de sentido e de certo senso de propósito. Mas, se olharmos bem, mais de perto, existem experiências que partilhamos como humanos que também estão ligadas à forma como experimentamos o mundo em suas situações mais duras e adversas.

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Talvez você traga dentro de você um sentimento de vazio relacionado à sua própria existência e uma sensação de que tudo à sua volta perdeu o sentido. Talvez você sinta falta de algo pelo que empenhar a sua existência. Um profundo desejo de que a vida seja maior do que as sensações e impressões que você tem sobre ela.

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Talvez você tenha a sensação de que os relacionamentos que você cultivou até agora foram vividos de maneira superficiais, frívolas e vazias. Talvez, isso também te lembre que lá no fundo você carrega um desejo urgente de uma conexão profunda com as pessoas. Que sente falta de ser olhado, conhecido, ou melhor, reconhecido através de uma relação que lembre a você mesmo do que seu coração é feito.

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Talvez você tenha medo que sua vida se evapore antes de acabar.  Ou talvez você tenha a sensação de que sua vida é uma grande mentira. Uma farsa. Um peso. Talvez você se pergunte sobre o sentido de tudo isso, talvez você já esteja sem esperança. Talvez tenha até se cansado de todas essas perguntas. Talvez todas as estratégias que você usou até agora para lidar com essas questões tenham falhado. Talvez você tenha medo. Tenha medo do futuro, do presente, da morte, da vida, do tempo, dos outros, de si próprio, dos seus sentimentos ou da sua apatia.

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Um encontro a partir das questões que nos diferenciam como seres humanos ou sobre a natureza temporal da existência (tudo passa, até a gente).

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Estamos nos propondo a colocar um ponto novo no horizonte de reflexão desses dramas humanos. Por isso, acredite! Por mais que você sinta essa dor como algo muito pessoal, você não está sozinho nessa. Nessa viagem que é a existência, todos nós em alguma medida, já experimentamos algo assim. Com isso não queremos diminuir nem relativizar o seu sofrimento. O que no fundo estamos tentando te dizer é que todas essas coisas podem até compor o cenário que você vê da janela enquanto faz a viagem, mas, você já experimentou olhar para o lado? Viu que tem mais gente no vagão?

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Somos todos passageiros nessa viagem. Passageiros porque passamos, porque independente do que façamos, o tempo vai escorrendo do reino das possibilidades para o mundo real através das nossas escolhas, através do nosso destino. Ninguém pode embarcar com o seu bilhete. Ele é pessoal e intransferível. Do mesmo modo que é único o seu portador, assim é o instante do tempo que passa. Passageiros são únicos e livres que viajam sobre um transporte mutável, comum e factual.  Carregam valores, a bagagem mais cara do ser. Os atos dignos de serem realizados.

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A vida que aspiramos, o amor que nos realiza, aquilo que nos ultrapassa. O que se tira do tempo e se marca na eternidade através da nossa história. Aquilo que podemos construir e doar, aquilo que da vida que nos cabe acolher como dom, aquilo que nos cabe sofrer. De pé, com heroísmo, resiliência, sacrifício e coragem.

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Mesmo que você ainda não tenha escrito tudo sobre suas possibilidades, há algo que já existe: o que você viveu e o que a sua liberdade escolher como seu destino. O ponto de partida – e aqui nós todos temos isso em comum – é a história que já construindo até aqui, com os bilhetes que compramos e não embarcamos, os tickets vencidos e os pontos perdidos, mas, também com todas as coisas que cultivamos. Já percorremos muitas milhas nessa estrada da vida, e pode ser que boa parte dessa viagem tenha sido feita sem mapa ou bússolas. Queremos te dizer que, se quiser, não precisa fazer essa viagem sozinho.

Mas acho que você já olhou para o lado e viu que tem outros passageiros, né?

Tá ouvindo?

É a chamada para o embarque.

Vamos?

A vida nada deve aos covardes.

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